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Nu descontexto

Neste tão vasto espaço recomeço as minhas histórias, as imagens e mensagens que passam por mim. Desejo partilhar este blog com quem quiser dispensar um pouco do seu tempo para amar comigo tudo.

Nu descontexto

Neste tão vasto espaço recomeço as minhas histórias, as imagens e mensagens que passam por mim. Desejo partilhar este blog com quem quiser dispensar um pouco do seu tempo para amar comigo tudo.

Novamente o rapaz, agora, do coração partido

Procurei-o todos os dias. Ainda era madrugada e lá estava eu, na mesma esquina, a espera-lo. A ele, à sua bicicleta e ao seu doce coração. Houve momentos que senti bastar vê-lo estendido no chão, ainda há espera que alguém o apanhasse. Sem corpo, somente ele.

Até que hoje, novamente com uma névoa no olhar, vi-o. Não me falou!

Talvez tenha o seu coração sido carregado por uma moça bonita, que logo após eu passar se tenha submetido ao seu pedido (insólito). Sim, ninguém anda a vaguear pelas ruas, de duas rodas, a solicitar tal favor.

Fiquei indignada! Coração vendido. O rapaz parecia sedento de compaixão e não propriamente de mim. Naquele dia, não pediu que o apanhasse por me achar especial ou merecedora de tal sensação.

Ou será que ficou magoado? Também poderá ser! O meu egozinho rebola com a ideia, recostando-se no sofá da minha mente. Se o afetei por não ceder à sua requisição é porque o meu valor foi reconhecido por ele. Afinal de contas quem pede a um desconhecido que lhe apanhe o que temos de mais sagrado?

Tantas dúvidas e ele ali pávido e sereno. Não resisti e perguntei-lhe: "Alguém apanhou o teu coração, rapaz da bicicleta?"

Ele fitou-me, cheio de dor, e disse: "Não, tive que ser eu a vergar-me ao seu encontro."

Fiquei petrificada com a minha tamanha estupidez. Porque fui eu tocar na ferida? Só para me sentir única.

Apeteceu-me, num frenesim, dizer-lhe que o atirasse para a calçada que eu o apanharia de uma forma teatral, ou simplesmente fugir dali, escondendo-me num típico buraquinho.

Naquele momento caiu sobre nós todo o lixo do mundo e fui inundada pela certeza da minha pequenez. Disse-me, por fim: "Então... Adeus!" E arrancou a toda a velocidade no seu velocípede de duas rodas apenas.