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Nu descontexto

Neste tão vasto espaço recomeço as minhas histórias, as imagens e mensagens que passam por mim. Desejo partilhar este blog com quem quiser dispensar um pouco do seu tempo para amar comigo tudo.

Nu descontexto

Neste tão vasto espaço recomeço as minhas histórias, as imagens e mensagens que passam por mim. Desejo partilhar este blog com quem quiser dispensar um pouco do seu tempo para amar comigo tudo.

Ao meu Pai

Dia do meu pai, cliché, são todos os dias. Os que acordo com uma chamada dele a perguntar-me como estou, que recordo o seu sorriso envergonhado, que lhe pergunto como correu o seu dia de trabalho. Dia do pai, é claramente, mais um dia dele. Como tantos outros, pai, que te trago comigo.

Da minha infância tenho presente o seu colo a ajudar-me a beber água num bebedouro maior que os meus centímentros, com um balão agarrado ao meu pulso. E a sua força para que eu não voasse de perto dele, entrelaçada aquela bola de ar!

Como se esforça para que eu não voe do meu percurso. Sei pai, que rezas por mim, para que seja mais que boa menina, seja feliz. E nem sabes, como ver-te hoje, ontem, ou amanhã faz de mim um ser afortunado.

Tu sabes quem és e o que significas na minha vida, mas o que ninguém sabe é que apesar de não te ter escolhido (nem tu a mim) és a melhor pessoa que conheço. A tua vida é baseada em tolerância, amizade, carinho, amor e tantas outras palavras bonitas que não sei transcrever da minha alma para este tão humilde blog.

Amo-te pai. Desde sempre e sei que esse amor é desmedido, impossivel de se quantificar, qualificar ou modificar. Sem ti perco o "ar" das palavras e não sou tanto. Contigo sou mais.

Mais filha, mais mulher, mais irmã, mais namorada, mais e mais e mais, tanto mais que me torno.

Fica com este texto simples, como homenagem ao homem simples mas grande que és.

Até já papito.

Amar pelos dois

"Amar pelos dois"... Desde logo, o nome da música anuncia, na minha opinião, o veredicto final. Vai ser a nossa representante no Festival da Eurovisão 2017. E é com o maior orgulho que o digo.

Luísa Sobral e o seu encantador irmão, Salvador Sobral, presentearam-nos com esta grande melodia. Cheia de amor, percorrendo todo o interprete durante a sua atuação. Sentindo-a nos seus gestos e articulações. O que permitiu a cada um de nós materializar a canção e vivencia-la com a mesma intensidade que o cantor.

A letra é de uma inocência e pureza sem fim. Dons que fazem parte do reportório de Luísa Sobral e, decerto, estão no seu sangue.

Não sou perita em música, avalio-a com a alma. E como esta melodia me encheu de graça!

Parabéns aos dois e a toda a equipa deste projeto.

Bora lá vencer!

Novamente o rapaz, agora, do coração partido

Procurei-o todos os dias. Ainda era madrugada e lá estava eu, na mesma esquina, a espera-lo. A ele, à sua bicicleta e ao seu doce coração. Houve momentos que senti bastar vê-lo estendido no chão, ainda há espera que alguém o apanhasse. Sem corpo, somente ele.

Até que hoje, novamente com uma névoa no olhar, vi-o. Não me falou!

Talvez tenha o seu coração sido carregado por uma moça bonita, que logo após eu passar se tenha submetido ao seu pedido (insólito). Sim, ninguém anda a vaguear pelas ruas, de duas rodas, a solicitar tal favor.

Fiquei indignada! Coração vendido. O rapaz parecia sedento de compaixão e não propriamente de mim. Naquele dia, não pediu que o apanhasse por me achar especial ou merecedora de tal sensação.

Ou será que ficou magoado? Também poderá ser! O meu egozinho rebola com a ideia, recostando-se no sofá da minha mente. Se o afetei por não ceder à sua requisição é porque o meu valor foi reconhecido por ele. Afinal de contas quem pede a um desconhecido que lhe apanhe o que temos de mais sagrado?

Tantas dúvidas e ele ali pávido e sereno. Não resisti e perguntei-lhe: "Alguém apanhou o teu coração, rapaz da bicicleta?"

Ele fitou-me, cheio de dor, e disse: "Não, tive que ser eu a vergar-me ao seu encontro."

Fiquei petrificada com a minha tamanha estupidez. Porque fui eu tocar na ferida? Só para me sentir única.

Apeteceu-me, num frenesim, dizer-lhe que o atirasse para a calçada que eu o apanharia de uma forma teatral, ou simplesmente fugir dali, escondendo-me num típico buraquinho.

Naquele momento caiu sobre nós todo o lixo do mundo e fui inundada pela certeza da minha pequenez. Disse-me, por fim: "Então... Adeus!" E arrancou a toda a velocidade no seu velocípede de duas rodas apenas.