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Nu descontexto

Neste tão vasto espaço recomeço as minhas histórias, as imagens e mensagens que passam por mim. Desejo partilhar este blog com quem quiser dispensar um pouco do seu tempo para amar comigo tudo.

Nu descontexto

Neste tão vasto espaço recomeço as minhas histórias, as imagens e mensagens que passam por mim. Desejo partilhar este blog com quem quiser dispensar um pouco do seu tempo para amar comigo tudo.

Vermelho

Boa tarde de frio e cheiro a Natal.

 

Da minha janela vejo os topos dos gorros, as botas a espreitar por entre casacos volumosos, que avançam aquecendo quem trazem dentro. E eu trago tanto dentro deles.

 

Têm sido dias bons, até mágicos. Há desaparecimentos, a lamentar com muito pesar, há nascimentos a festejar e renascimentos de todos os anos. Tive tantas pessoas queridas a festejar o aniversário no fim do mês de Novembro início de Dezembro, tantas alegrias, tantos bolos e  festejos. Não pude participar fisicamente em todos, mas em cada um tive a minha alma. 

 

Chegou o mês do vermelho. Seja o vermelho do pai Natal, do coração, dos azevinhos, sei lá mais do quê. Um conjunto de dias cheios de amor, brilho e luz. É também o mês detentor do dia mágico em que fazemos os planos para o ano seguinte, e cremos que tudo será melhor. Eu creio.

 

Lisboa já tem árvores por todo o lado, luzes que parecem estrelas e encanto.

 

Vamos falando.

 

Com amor,

Marta

 

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De volta a Chaves

Em Chaves. Comida boa, paisagens lindas, calor intenso, família de coração extraordinária. O que mais se pode querer?

Consigo ver na rua da aldeia emigrantes a chegarem, abraços infinitos, cheios de alegria e emoção, partilhada num "fino" e em dois, três, quatro dedos de conversa. Com quem vem de uma luta infindável, para em Agosto poder regressar.

Chegam exaustos, 14 horas de viagem de França a Portugal, ouvi eu, mas não o demonstram, só se vê boa disposição e vontade de aproveitar cada minuto.

Terra de gente especial, da região norte, de onde eu própria tenho origem. Onde passei alguns Verões em criança, chapinhei nas possas de lama, dei comida aos animais, apanhei amoras, dancei nos arraiais e tive o meu primeiro amor. 

Há tantas histórias a contar que me perco e acabo por sentir que são estes cantos no mundo, no nosso pequeno ecossistema, que nos fazem sermos melhores.

Vamos continuar por cá, entre casa, passeio á cidade e como dizem cá: "Vá vamos falando!".

 

Até já,

Marta

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Os mercados da minha vida

 

Boa tarde!

Hoje fui ao mercado de Alvalade. Fantástico... Dirão vocês o que uma ida ás compras tem de tão interessante. Tem! E várias coisas.

Primeiro, é um ritual. 
A escolha dos legumes, a cara de fresquinho do peixe, que daí a uma hora estará no nosso prato a deliciar o dia. As pessoas são simpáticas, regateamos os preços, que conservam a nossa bolsa para um café quentinho ao som do "leve este carapau que é mesmo fresquinho". Ao ritmo de um pavilhão repleto de sacos coloridos, mais cheios ou vazios, e aromas inigualáveis.

Comprámos um peixe fresquinho, que nos soube a uma estrela Michelin e a um almoço digno da realeza. Não tivesse eu em casa um verdadeiro chef, que por vezes nada parece de amador. Saltita pela cozinha, dançando com os alimentos. Dá tanto gosto vê-lo cozinhar como provar as deliciosas receitas que confecciona.

Mas há mais um razão para eu gostar de mercados. Com muito orgulho digo que o meu pai trabalhou em um, não importa qual, á muitos anos atrás. Mas numa altura em que eu era tão sensível, dada a tenra idade, que me marcou. 

Os elogios das floristas á menina do papá, até ao restaurante onde comíamos a carne que trazíamos do talho onde trabalhava e que me sabia a melodia de amor. A paixão que sentia, e sinto, pelo meu rico pai. Lembro-me de ir de comboio até lá, toda atrapalhada, mas lá chegava eu, pronta para os mimos e elogios de todos os que trabalhavam e conviviam com ele.

Lembro-me de haver uma loja de animais, já no exterior do mercado e o dono me oferecer, não sei se um passarinho ou um peixe. Algo assim. E, calma, nunca esquecendo o senhor do café, que me oferecia guloseimas à socapa dos olhares atentos do meu babado pai. Que tempos... Delicados e amorosos.

Foi tudo e mais tudo que hoje recordei em Alvalade. Agora com outro homem, igualmente da minha vida, e com outros cheiros e sabores. De uma forma diferente, igualmente, e repito a palavra, delicioso, prazeroso, delicado... Apaixonante!

Diverti-me, recordei, dançei por lá e tive uma manhã cheia. Espero que a vossa também.
 
Um resto de dia feliz,
Marta 
 

O amor de braços dados com o ódio ( infelizmente)

Bom dia aos resistentes que me seguem!


Hoje percebi que o ódio e o amor, na verdade, andam de mãos dadas.

Não sou melhor que ninguém, não mesmo, mas não consigo guardar rancor por mais que meia hora. Consigo encontrar pontos que me levem à satisfação. Não que seja uma pessoa muito positiva, porque não sou, mas isto nada tem a ver com positividade, tem sim com o rancor. Que coisa tão corrosiva! Não, eu não o deixo entrar em mim, ou melhor, instalar-se confortavelmente no sofá do meu coração.

Na vida já magoei, já fui quebrada, mas todos os que de alguma forma me tocaram, têm mim um lugar. Mesmo que seja um sitio escuro onde eu não os procure mais, não sinta essa necessidade, estão lá e assim se conservam pelos dias. Não à espera de lá saírem, mais sim como as minhas inspirações para eu seja melhor no futuro. 
Nunca virei a cara a ninguém que me magoou e nego-me a faze-lo. Trago-vos, amigos, ex-romances, conhecidos, no coração e só assim vou crescendo e sendo uma pessoa cada vez melhor.

Graças a tantas descobertas que fiz dentro de mim nos últimos dias, estou prestes a dar mais um passo em frente. Tenho em mim todo o amor do universo e vou voltar a partilha-lo. Porque admitam, a dois é sempre melhor!

Até já,

Marta

Ao meu Pai

Dia do meu pai, cliché, são todos os dias. Os que acordo com uma chamada dele a perguntar-me como estou, que recordo o seu sorriso envergonhado, que lhe pergunto como correu o seu dia de trabalho. Dia do pai, é claramente, mais um dia dele. Como tantos outros, pai, que te trago comigo.

Da minha infância tenho presente o seu colo a ajudar-me a beber água num bebedouro maior que os meus centímentros, com um balão agarrado ao meu pulso. E a sua força para que eu não voasse de perto dele, entrelaçada aquela bola de ar!

Como se esforça para que eu não voe do meu percurso. Sei pai, que rezas por mim, para que seja mais que boa menina, seja feliz. E nem sabes, como ver-te hoje, ontem, ou amanhã faz de mim um ser afortunado.

Tu sabes quem és e o que significas na minha vida, mas o que ninguém sabe é que apesar de não te ter escolhido (nem tu a mim) és a melhor pessoa que conheço. A tua vida é baseada em tolerância, amizade, carinho, amor e tantas outras palavras bonitas que não sei transcrever da minha alma para este tão humilde blog.

Amo-te pai. Desde sempre e sei que esse amor é desmedido, impossivel de se quantificar, qualificar ou modificar. Sem ti perco o "ar" das palavras e não sou tanto. Contigo sou mais.

Mais filha, mais mulher, mais irmã, mais namorada, mais e mais e mais, tanto mais que me torno.

Fica com este texto simples, como homenagem ao homem simples mas grande que és.

Até já papito.

Novamente o rapaz, agora, do coração partido

Procurei-o todos os dias. Ainda era madrugada e lá estava eu, na mesma esquina, a espera-lo. A ele, à sua bicicleta e ao seu doce coração. Houve momentos que senti bastar vê-lo estendido no chão, ainda há espera que alguém o apanhasse. Sem corpo, somente ele.

Até que hoje, novamente com uma névoa no olhar, vi-o. Não me falou!

Talvez tenha o seu coração sido carregado por uma moça bonita, que logo após eu passar se tenha submetido ao seu pedido (insólito). Sim, ninguém anda a vaguear pelas ruas, de duas rodas, a solicitar tal favor.

Fiquei indignada! Coração vendido. O rapaz parecia sedento de compaixão e não propriamente de mim. Naquele dia, não pediu que o apanhasse por me achar especial ou merecedora de tal sensação.

Ou será que ficou magoado? Também poderá ser! O meu egozinho rebola com a ideia, recostando-se no sofá da minha mente. Se o afetei por não ceder à sua requisição é porque o meu valor foi reconhecido por ele. Afinal de contas quem pede a um desconhecido que lhe apanhe o que temos de mais sagrado?

Tantas dúvidas e ele ali pávido e sereno. Não resisti e perguntei-lhe: "Alguém apanhou o teu coração, rapaz da bicicleta?"

Ele fitou-me, cheio de dor, e disse: "Não, tive que ser eu a vergar-me ao seu encontro."

Fiquei petrificada com a minha tamanha estupidez. Porque fui eu tocar na ferida? Só para me sentir única.

Apeteceu-me, num frenesim, dizer-lhe que o atirasse para a calçada que eu o apanharia de uma forma teatral, ou simplesmente fugir dali, escondendo-me num típico buraquinho.

Naquele momento caiu sobre nós todo o lixo do mundo e fui inundada pela certeza da minha pequenez. Disse-me, por fim: "Então... Adeus!" E arrancou a toda a velocidade no seu velocípede de duas rodas apenas.

Chaves

Desculpem a ausência. Foi um fim de semana sem ligação a internet e telemóvel. Estive em Chaves! Valentes transmontanos, Feira dos Sabores e aniversário do pai do meu namorado. É lá que residem as suas origens.

 

Como eu adoro aquela terra! Aquele frio que corta e só é compensado pelo calor da lareira acesa todo o dia.Os mimos que a sua família me oferece são gratuitos, subtis e muito importantes para mim.

É um lugar lindo! Estou habituada desde criança a paisagens montanhosas, não fosse a minha mãe de Bragança. Sitios puros, onde a civilização entrou devarinho para que nem uma flor selvagem morresse.

 

Não tirei fotografias pois fui sugada por esta atmosfera de festa, amor e quentinho. Para que nada se perdesse, vivi cada segundo intensamente. Cada pessoa, cada gesto.  Aquele cheirinho a verde, a chuva que só deu tréguas no domingo. Que paixão!

 

Fomos ver a equipa do Desportivo de Chaves. Empatou! Mas é tão engraçado ver protestos dos adeptos transmontanos. Mulheres, crianças, gritam! É tão bom...

 

Neste ano e meio, que os conheço, a minha vida mudou tanto. A sua garra transmontana transporta-me as minhas próprias origens. À força da minha mãe. Foi bom, foi lindo, foi tão meu.

Rapaz da bicicleta

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Estava eu dormente as 8h e passa um miúdo por mim e diz:" Deixou cair qualquer coisa". Eu, prontamente, olho para o chão e ele subtilmente coloca a mão no seu peito e diz:" O meu coração". Fiquei fascinada com a descontração deste rapaz, que não teria mais que 18 anos. Tenho quase mais 11 que ele e foi com toda a elegância me galanteou. Não me posso queixar do domínio do romance que o meu namorado tem, mas um menino na rua despertar-me com o seu elogio (sim porque fiquei lisonjeada) é como comer chocolate toda a tarde a ver uma serie. De forma moderada, os piropos, não fazem mal a ninguém.  Como senão bastasse jà acordo todos os dias com carícias e ainda flutuam por aí palavras bonitas e gestos delicados. Obrigada Rapaz da Bicicleta. Espero que alguém apanhe o teu coração do chão.

A minha avó

Gosto de escrever sobre o que vejo, sinto e saboreio da vida. Amo criar mundos paralelos ao meu, pessoas que não existem senão nas minhas historias. Ou falar das que me marcam e que eu amo incondicionalmente. Esta Senhora é uma delas.  Podia ser uma criadora de gatos, no seu croché toda a tarde e no chá pela noite adentro. Mas não! Recusasse a incorporar os dias que por ela já passaram, marcados na sua pele, e oferece aos outros momentos tão impares de bem-estar, que só podia ser mencionada no meu blog. Assina a minha vida com lápis coloridos e faz desenhos tão puros e de uma fantasia irreal que todos os dias me obriga, como uma droga, a conhecer um. A sentir na minha pele aqueles rabiscos tão cheios de sabedoria e narrações conhecedoras da crueldade, mas também da beleza do mundo. É especial. Linda. Conheço-lhe os seus gestos e os gostos. Talvez tenha noutra vida sido mesmo sua neta, como o desejo. É uma lutadora, provavelmente este é o conjunto de letras que melhor a define. Mas são tantas as suas peculiares características e tão fascinantes! Não tenho vocabulário suficientemente sofisticado para a descrever. É parte da família que escolhi ou me escolheu, não sei. O universo é tão perverso que pôs no mundo duas almas tão semelhantes. Uma diz "mata" a outra "esfola".  No fundo isto tudo para agradecer o quanto sou feliz por a ter na minha vida. Por podermos engordar juntas, como só nos sabemos. Que seja assim por muitos anos, avó.

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Minha

Não há maior bênção no universo que ter na nossa vida um irmão. E eu não sou exceção!  Partilhámos o mesmo ventre, quase em simultâneo. Ouvimos os afetos, as carícias da mesma voz. A mesma que com todo o amor do mundo nos conduziu pelo percurso da vida. E claro, que continua o seu papel como a melhor que podíamos desejar. Fomos empurradas na bicicleta pelas mesmas mãos fortes, as do nosso pai. Que nos levou ao colo tantas e tantas noites para a cama. Partilhamos a mãe e o pai dos nossos sonhos. São as mesmas referências que nos ligam. E que não nos permitem quebrar os laços. E desde quando é que eu queria quebrar algo contigo minha querida? Cuidas de mim como se de ti mesma se tratasse. Zangas-te, abres esses teus grandes olhos e refilas para que eu seja melhor e melhor que eu. Sim, porque acreditas nas minhas potencialidades, na minha força.  És linda e ao pé de ti está parte do que há de melhor no mundo. Fazes parte das minhas paixões e és tão minha que nada nos separa. O mundo pode não perceber o que é ter uma irmã como tu, mas eu sei, eu vivo-o. Trago-te comigo sempre e sempre e sempre, para todo o sempre.

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